Totó
.. tá calô ..
Vanessa da Mata
A boa da Vanessa não esteve assim muito activa, se calhar porque percebeu que não precisava de se cansar muito para levar o pessoal ao rubro. E até levou, já que para lá do meio da actuação os corpos começaram a juntar-se junto ao palco e já se dançava um pouco por todo o lado. A minha piquena câmara também começou aos solavancos até esgotar a bateria mesmo na saída da artista, que é uma bela artista. No entanto, deve-se notar que uma pequena parte da assistência foi abandonando o recinto, talvez por que já se ia a caminho das 2 da matina ou porque a maioria das gentes foi ver o Paulo Flores, que tocou antes.
O nosso primeiro espectáculo em Luanda foi também o primeiro festival de jazz aqui da terra. Se bem que o conceito jazz deve ser utilizado no sentido lato, foram 4 actuações bastante agradáveis, pelo menos no 2º dia. A Vanessa estava boa à beça, o Paulo Flores estava com um mohawk na nuca, cor de rosa, os Freshlygrounded estiveram muito animados e o Totó tem uns temas com piada....esta é a escada do nosso prédio quando chegámos a casa hoje pela hora de almoço. trata-se de uma ensaio experimental para a produção de um protótipo que mudará o desporto radical indoor. como podem perceber, trata-se da simulação de uma tempestade tropical, através da qual o aventureiro deve escalar pelos patamares escorregadiços até atingir o topo do edificio ou ser atingido por ele.. estamos tão confiantes do sucesso de tal aparato num qualquer centro comercial europeu, onde já imaginamos as familias em filas intermináveis, que já investimos os nossos fatos e sapatos para testar a subida até ao 1º andar.. um vizinho subiu até mais alto, mas não conta porque estava de impermeável..
..cada vez que a viatura pára, uma guarda avançada de rapaziada vendedora ambulante cerca os ocupantes com as mais variadas ofertas, trocadas por uns exponenciais kzs que podem ser negociados até ao nível do aceitável..
Este é o recibo da portagem do rio Kwanza, a 70km sul de Luanda. Pelo que me disseram, é a única portagem existente em solo Angolano, o que torna este papelinho um artefacto não acessível a todos. São cerca de 2€ para lá e outros para cá, para passar pela foz ao sul da capital angolana na fronteira entre a Província de Luanda e a Província do Bengo.
A ponte é do inicio dos anos 70 mas parece nova em folha e é melhor levar trocado porque o troco por vezes também reverte para o fundo rodoviário. No fim do tabuleiro dois guardas torram ao sol, não vá alguém levar a ponte para outro lugar.


Dia 1 de Abril entra em vigor o novo código de viação em Angola, e parece que não vai ser mentira, pelo menos nos primeiros dois dias até as autoridades perderem o controlo de uma situação cujo mínimo domínio nunca tiveram…
.. esta imagem foi tirada no dia 22/03 no Miradouro da Lua, a uns 30 Kms a sul de Luanda, que deu nome à primeira co-produção luso-angolana, O Miradouro da Lua (1992) do cineasta Jorge António. É uma arriba fóssil, com os flancos bastante erodidos em que o vermelho da terra se intercala por montes cinza lunares envoltos em verde vivo. Junto com o azul do mar, forma uma combinação de estranheza ao olhar mais poético. Para os malucos das pedras, posso dizer que se trata do Miocénico-Oligocénico na base e Pliocénico-Plistocénico no topo. Do cimo do morro têm-se uma vista imensa do mar sem ondas que encalha nesta costa. Dizem-me que é um mar perigoso pelas marés traiçoeiras que por lá se mexem, mas suspeito que o perigo maior que provoca afogamentos nestas águas é a combinação do álcool com uma intrínseca incapacidade para a prática da natação sem pé..
Resumindo, o miradouro da lua vale o nome e a visita, mas não confiem nos cartazes... é que a natureza humana leva dias a esculpir superfícies destorcidas, e espaço para um belo condominio com vista para esta harmoniosa imensidão não será um dos problemas...